Mais algumas semanas se passaram. Mais uma decepção em sua vida. Alice estava cansada de sempre gostar de estar com as pessoas erradas. Nada que não pudesse evitar com muito esforço, mas ela não queria. Sabia que se as evitassem acabaria só. Mais só do que já estava em sua vida.
Clara já não surtia tanto efeito sobre Alice. Alice não se importava mais em falar com Clara. Ambas estavam de bem uma com a outra, apesar de desentendimentos do passado. Alice já gostou muito de Clara. E não deu certo. "Não tem como dar certo algo que com certeza vai dar errado." Este foi um dos pensamentos mais óbvios que Alice já teve, e um dos mais corretos até então.
Além de Alice, outras pessoas pareciam não estar se dando bem com suas relações. Clara havia deixado de falar com Ricardo, o rapaz que conhecera algum tempo atrás. "Simplesmente não daria certo." Era o que Alice pensava, e Clara também.
Tarde de Sexta-feira. Quando a maioria dos jovens sai para começar a curtir o final de semana. Na esperança de que ele dure mais, ou que seja mais divertido, isso depende do que cada um fará. Alice não se preocupava com isso. Sabia exatamente o que queria fazer, mas não tinha motivação para isso. Queria muito sair e conhecer alguém que gostasse dela. Que gostasse mais que o normal. E se já é difícil encontrar um bom rapaz, é de se esperar que seja mais difícil ainda encontrar uma boa moça, que também goste dela.
"O que é o gostar? O que faz com que a gente goste de alguém? Por que gosto sempre das pessoas erradas?" - Alice pensava, triste, em seu quarto.
O telefone toca
- Oi Alice!
- Oi... Clara?
- Olha! Ela sabe quem é!
- Poisé, não demora muito para saber quem é só pela voz, ou pelo número de telefone na bina.
- Haha, poisé. Então, você quer sair comigo hoje? Só nos duas, no shopping! Podemos fazer altas coisas juntas, compras, unhas, sei lá, o que você quiser!
- Ah, Alice, eu realmente não...
- Ah, pare! Não vai me dizer que prefere ficar Sexta-feira de tarde em casa sem fazer nada!
- Mas eu tenho que estudar também e...
- Por favor! Vamos!
- Tá bom, vamos. Que horas nos encontramos lá?
- Pode ser 2h30?
- Pode ser, até lá.
- Até!
"Meu deus..."
Não que Alice não gostasse de Clara. Muito pelo contrário. Alice adorava Clara, e era sem dúvidas a melhor amiga que já teve. Mas o bom humor constante, a motivação e energia que Clara possuia chegava a irritar Alice, que não era assim. Estava mais para um meio termo entre isso e o oposto.
domingo, 20 de março de 2011
terça-feira, 6 de julho de 2010
Esclarecendo as coisas.
No dia anterior, Alice viu Clara com Ricardo, um rapaz que Clara havia conhecido dentro de um ônibus, e que recentemente havia conseguido um emprego no colégio.
Alice faltara 3 dias seguidos, por causa do choque. Estava novamente ferida, por dentro. Não conseguia mais aguentar.
Antes disso, depois de voltarem do recreio, Clara contou para Alice:
- Foi assim: estávamos ontem na escada do colég... - Bastou isso para que Alice se levantasse, e saísse de sala, pedindo para ir para casa, pois se sentia mal. Não estava doente fisicamente.
Alice faltara 3 dias seguidos, por causa do choque. Estava novamente ferida, por dentro. Não conseguia mais aguentar.
Antes disso, depois de voltarem do recreio, Clara contou para Alice:
- Foi assim: estávamos ontem na escada do colég... - Bastou isso para que Alice se levantasse, e saísse de sala, pedindo para ir para casa, pois se sentia mal. Não estava doente fisicamente.
Outro choque.
Como sempre fazia, Alice se dirigiu ao colégio. O caminho que fazia de sua casa até este já havia se tornado tão comum que ela não era mais capaz de distinguir o tempo que levava para ir de um a outro. Era quase como se seu corpo andasse sozinho e ela pudesse se concentrar em outras coisas. Ver o gato que andava na rua. Ver outras garotas que passavam na rua.
Alice chegou ao quarteirão do colégio e se aproximava da entrada, quando ouviu duas vozes familiares. Eram duas colegas de turma, que estavam sentadas na escada, conversando. Alice entrou na conversa. As meninas falavam de coisas variadas, dentre elas uma festa que ocorreria no final de semana. Alice se esforçou para parecer interessada, mas não conseguia, e só fazia parecer que estava fingindo. Por sorte, as duas perceberam isso, e mudaram de assunto. Começaram a falar de garotos, e Alice sabia fingir bem o interesse nisso.
Os minutos se passavam. As três garotas tinham vontade de faltar aos primeiros horários, que eram de inglês. Todas eram boas em inglês. Alice viu um carro familiar se aproximando do colégio. Era o carro de Clara.
Viu Clara descer do carro, subir as escadas.
Clara foi até Alice:
- Oi, Alice! E aí? O que aconteceu com você esses dias?!
- Eu não estava me sentindo muito bem, Clara.
- Ô, amiga. Eu tentei te ligar, mas não tive tempo. Você foi ao médico?
- Não foi necessário.
- Então você está melhor?
Alice olhou Clara nos olhos. Como era possível alguém ser tão ingênua? Não era maldade de Clara, Alice sabia. Era apenas inocência.
- Não. - Foi a resposta. Seca. Curta.
- Alice, você está tão estranha... o que está acontecendo?
Alice parou por algum tempo. Parecia travar uma enorme batalha em seu interior onde, qualquer que fosse o vencedor, uma parte de si sairia perdendo. Por fim:
- Clara, você quer saber o que está acontecendo, não é? Pois eu vou te contar o que está acontecendo. Eu gosto de você, Clara. E eu não gosto como amiga. Eu realmente gosto de você. E saber sobre você e aquele cara... me... me... me...
Alice não terminou o que tinha para dizer. Não foi preciso. Clara havia entendido tudo.
Alice chegou ao quarteirão do colégio e se aproximava da entrada, quando ouviu duas vozes familiares. Eram duas colegas de turma, que estavam sentadas na escada, conversando. Alice entrou na conversa. As meninas falavam de coisas variadas, dentre elas uma festa que ocorreria no final de semana. Alice se esforçou para parecer interessada, mas não conseguia, e só fazia parecer que estava fingindo. Por sorte, as duas perceberam isso, e mudaram de assunto. Começaram a falar de garotos, e Alice sabia fingir bem o interesse nisso.
Os minutos se passavam. As três garotas tinham vontade de faltar aos primeiros horários, que eram de inglês. Todas eram boas em inglês. Alice viu um carro familiar se aproximando do colégio. Era o carro de Clara.
Viu Clara descer do carro, subir as escadas.
Clara foi até Alice:
- Oi, Alice! E aí? O que aconteceu com você esses dias?!
- Eu não estava me sentindo muito bem, Clara.
- Ô, amiga. Eu tentei te ligar, mas não tive tempo. Você foi ao médico?
- Não foi necessário.
- Então você está melhor?
Alice olhou Clara nos olhos. Como era possível alguém ser tão ingênua? Não era maldade de Clara, Alice sabia. Era apenas inocência.
- Não. - Foi a resposta. Seca. Curta.
- Alice, você está tão estranha... o que está acontecendo?
Alice parou por algum tempo. Parecia travar uma enorme batalha em seu interior onde, qualquer que fosse o vencedor, uma parte de si sairia perdendo. Por fim:
- Clara, você quer saber o que está acontecendo, não é? Pois eu vou te contar o que está acontecendo. Eu gosto de você, Clara. E eu não gosto como amiga. Eu realmente gosto de você. E saber sobre você e aquele cara... me... me... me...
Alice não terminou o que tinha para dizer. Não foi preciso. Clara havia entendido tudo.
sábado, 26 de junho de 2010
Que sonho...
Alice abriu os olhos. Se virou e encarou o relógio. Três e vinte e cinco da manhã. "Porra, ainda?" Não queria continuar acordada, queria aproveitar as últimas horas de sono que teria antes das aulas daquele dia. Os minutos passavam. Alice havia deitado às onze horas da noite do dia anterior, e num intervalo de duas horas ficava acordando, ansiosa, e o pior: sem saber o porque disso.
Finalmente dormiu. Alice sonhava com Clara. Que estavam juntas andando num shopping grande e cheio de pessoas. Estavam indo a um show de uma banda que ambas gostavam, mas não conseguia ver bem qual era. Estavam felizes, e ao chegar no local onde haveria o show descobriram que fora cancelado. Não sabiam porque, mas foram para casa não tão tristes como as outras pessoas, e resolveram fazer outra coisa, como ver TV.
Neste sonho, Alice tinha vontade de falar para Clara o que sentia de verdade, mas era difícil criar coragem.
- Alice - disse Clara.
- Oi?
- Alice.
- Clara? O que foi?
- Alice!
De repente tudo ficou escuro, e aos poucos clareando. Alice abria os olhos novamente, dessa vez sua mãe havia lhe chamado para tomar o café da manhã e se preparar para a aula.
- Nossa, que sonho estranho...
- Que sonho? - Verônica ouviu Alice comentando sobre seu sonho, e ficou curiosa para saber sobre o que era.
- Ah, nada não mãe.
- Sei...
Mais uma manhã normal. Pelo menos o começo da manhã foi.
Finalmente dormiu. Alice sonhava com Clara. Que estavam juntas andando num shopping grande e cheio de pessoas. Estavam indo a um show de uma banda que ambas gostavam, mas não conseguia ver bem qual era. Estavam felizes, e ao chegar no local onde haveria o show descobriram que fora cancelado. Não sabiam porque, mas foram para casa não tão tristes como as outras pessoas, e resolveram fazer outra coisa, como ver TV.
Neste sonho, Alice tinha vontade de falar para Clara o que sentia de verdade, mas era difícil criar coragem.
- Alice - disse Clara.
- Oi?
- Alice.
- Clara? O que foi?
- Alice!
De repente tudo ficou escuro, e aos poucos clareando. Alice abria os olhos novamente, dessa vez sua mãe havia lhe chamado para tomar o café da manhã e se preparar para a aula.
- Nossa, que sonho estranho...
- Que sonho? - Verônica ouviu Alice comentando sobre seu sonho, e ficou curiosa para saber sobre o que era.
- Ah, nada não mãe.
- Sei...
Mais uma manhã normal. Pelo menos o começo da manhã foi.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Fim de Semana em Branco
Em casa, a sós, Alice refletia sobre seus dias em que passou em Belo Horizonte até aquele momento. Não havia ocorrido nada que considerasse ruim, além de ser atraída por Clara.
Os minutos passavam e Alice fazia sua lição. De repente lembrou que haveria uma prova de matemática segunda-feira. Após isso, lembrou que teria provas durante todo o mês. Por último, e não menos importante, lembrou que não havia entendido nada da matéria. "Malditos determinantes, vão acabar comigo..." Decidiu estudar, mas a cada momento se distraía com alguma legenda no livro, algo que acontecia em sua rua, fora do prédio, lembrava de algum bombom que havia restado na geladeira. Qualquer coisa parecia ser um bom motivo para afastá-la daquele livro didático. Por fim, assumiu a falta de vontade e foi ver TV até a hora de dormir.
Sábado.
Domingo.
Segunda-feira. Dia da prova. Alice estava estranhamente despreocupada, apesar de não ter estudado. Não se sentia confiante, mas não sentia medo. Estava indiferente. "Oi Alice, você está bem?" - Alice estava encostada numa parede do corredor, de frente para a porta da sala onde seria aplicada a prova. Na verdade, estava encostada em sua mochila, que estava fina por causa da ausência total de livros, que por sua vez estava encostada na parede. Alice imaginava aquilo como um "acolchoamento" para a parede. Enquanto isso, observava os detalhes da porta da sala. Parecia ter a mesma idade que o colégio. Não sabia o quanto, apenas que era antigo. Muito antigo. "An? Estou bem sim, é que estava pensando na prova, e no quanto eu deveria estar preocupada mas não estou" - Respondeu Alice, sem ter certeza do que falava. Afinal, sabia que não estava a pensar na prova. Não estava ligando para aquilo. Mas não se lembrava do que estava pensando. Poucas coisas a faziam se distrair tanto quanto pensar na pessoa em que se gosta, mas costuma-se lembrar disso, e ela não lembrava. "Estranho" - pensou Alice.
Uma jovem de cerca de 30 anos caminhava pelo corredor usando um salto que fazia um barulho enorme ao pisar no chão. Não era feia, mas não havia despertado atenção de Alice. Em suas mãos estava o pacote com as provas da turma de Alice. Ela abriu a porta da sala e entrou, chamando a todos. Alice entrou também, junto com Clara e suas amigas.
Era necessário deixar a mochila longe da carteira. Não era possível deixar o estojo com o material à vista. Somente lápis, caneta e borracha poderiam ficar em cima da carteira. "Quem foi o imbecil que inventou essa regra?" - Pensava Alice. - "Qualquer um pode escrever uma cola num pedaço de papel e colocar na manga, ou até mesmo na meia, que incompetência do caralho..." Era assim que Alice pensava. Coisas que são simples de se fazer e não eram bem feitas a deixavam meio chateada e meio irritada. A cada momento que se deparava com situações assim Alice se decepcionava mais com as pessoas.
Alice e seus colegas se sentaram. Ela era a única garota com o nome começado em A em sua turma. Sentava na primeira carteira. Não haviam chances de colar ou de olhar para o lado. A vigia começou a distribuir as provas. Quando Alice recebe a sua, não consegue acreditar no que vê. Todos os exercícios da primeira página ela julgava saber responder. Mas ela não havia visto os outros.
Tudo corria bem. Alice, apesar de não ter estudado, estava confiante de que tiraria uma nota boa seguindo aquele ritmo. A confiança estava em alta, até que percebe que a outra metade da prova era muito difícil para uma garota de 16 anos que não havia prestado atenção às aulas e não havia sequer estudado nos últimos dias.
A manhã inteira foi utilizada para se fazer a prova. No final, Alice saiu desapontada, achava que se sairia bem. Apesar disso, não se sentia mal. Se sentia indiferente. A única coisa que se passava em sua mente era Clara. Alice a imaginava de todas as maneiras, sorrindo para ela. Um sonho. Após essa ideia, só pensava em ir para casa. Ir de encontro à cama e dormir até o dia seguinte.
Os minutos passavam e Alice fazia sua lição. De repente lembrou que haveria uma prova de matemática segunda-feira. Após isso, lembrou que teria provas durante todo o mês. Por último, e não menos importante, lembrou que não havia entendido nada da matéria. "Malditos determinantes, vão acabar comigo..." Decidiu estudar, mas a cada momento se distraía com alguma legenda no livro, algo que acontecia em sua rua, fora do prédio, lembrava de algum bombom que havia restado na geladeira. Qualquer coisa parecia ser um bom motivo para afastá-la daquele livro didático. Por fim, assumiu a falta de vontade e foi ver TV até a hora de dormir.
Sábado.
Domingo.
Segunda-feira. Dia da prova. Alice estava estranhamente despreocupada, apesar de não ter estudado. Não se sentia confiante, mas não sentia medo. Estava indiferente. "Oi Alice, você está bem?" - Alice estava encostada numa parede do corredor, de frente para a porta da sala onde seria aplicada a prova. Na verdade, estava encostada em sua mochila, que estava fina por causa da ausência total de livros, que por sua vez estava encostada na parede. Alice imaginava aquilo como um "acolchoamento" para a parede. Enquanto isso, observava os detalhes da porta da sala. Parecia ter a mesma idade que o colégio. Não sabia o quanto, apenas que era antigo. Muito antigo. "An? Estou bem sim, é que estava pensando na prova, e no quanto eu deveria estar preocupada mas não estou" - Respondeu Alice, sem ter certeza do que falava. Afinal, sabia que não estava a pensar na prova. Não estava ligando para aquilo. Mas não se lembrava do que estava pensando. Poucas coisas a faziam se distrair tanto quanto pensar na pessoa em que se gosta, mas costuma-se lembrar disso, e ela não lembrava. "Estranho" - pensou Alice.
Uma jovem de cerca de 30 anos caminhava pelo corredor usando um salto que fazia um barulho enorme ao pisar no chão. Não era feia, mas não havia despertado atenção de Alice. Em suas mãos estava o pacote com as provas da turma de Alice. Ela abriu a porta da sala e entrou, chamando a todos. Alice entrou também, junto com Clara e suas amigas.
Era necessário deixar a mochila longe da carteira. Não era possível deixar o estojo com o material à vista. Somente lápis, caneta e borracha poderiam ficar em cima da carteira. "Quem foi o imbecil que inventou essa regra?" - Pensava Alice. - "Qualquer um pode escrever uma cola num pedaço de papel e colocar na manga, ou até mesmo na meia, que incompetência do caralho..." Era assim que Alice pensava. Coisas que são simples de se fazer e não eram bem feitas a deixavam meio chateada e meio irritada. A cada momento que se deparava com situações assim Alice se decepcionava mais com as pessoas.
Alice e seus colegas se sentaram. Ela era a única garota com o nome começado em A em sua turma. Sentava na primeira carteira. Não haviam chances de colar ou de olhar para o lado. A vigia começou a distribuir as provas. Quando Alice recebe a sua, não consegue acreditar no que vê. Todos os exercícios da primeira página ela julgava saber responder. Mas ela não havia visto os outros.
Tudo corria bem. Alice, apesar de não ter estudado, estava confiante de que tiraria uma nota boa seguindo aquele ritmo. A confiança estava em alta, até que percebe que a outra metade da prova era muito difícil para uma garota de 16 anos que não havia prestado atenção às aulas e não havia sequer estudado nos últimos dias.
A manhã inteira foi utilizada para se fazer a prova. No final, Alice saiu desapontada, achava que se sairia bem. Apesar disso, não se sentia mal. Se sentia indiferente. A única coisa que se passava em sua mente era Clara. Alice a imaginava de todas as maneiras, sorrindo para ela. Um sonho. Após essa ideia, só pensava em ir para casa. Ir de encontro à cama e dormir até o dia seguinte.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Fragrâncias do Amor
A primeira aula do dia começou. Alice, Clara, e seus colegas estavam se sentando enquanto o professor se dirigia para sua mesa. Era uma aula de geografia. Tudo começava normalmente. O professor tentava se lembrar onde havia parado na última aula, e alguém do outro lado da sala respondeu.
Alice não se importava com a aula de geografia. Era uma das matérias que mais tinha facilidade, apesar de não gostar. Seus colegas viviam perguntando para ela como ela conseguia se sair bem em algo que não gostava, e ela simplesmente respondia que não sabia. No fundo sabia. E achava seus colegas que iam mal na matéria um bando de descerebrados que não sabiam sequer usar uma lógica simples para resolver as questões. Alice chamava essa lógica de Lógica da Religião e Economia. Como o próprio nome diz, a lógica se baseia na religião e na economia envolvidos. Dependendo da matéria um influencia o outro, ou às vezes não. Era simples, na maioria das vezes a questão girava em volta do dinheiro, e às vezes da religião. Alice não conseguia compreender a dificuldade de colocar isso na cabeça, e no final sempre deixava para lá. Tinha mais com o que se preocupar.
Neste dia Alice decidiu sentar atrás de Clara, por quem já sabia sentir certa atração. E sabia que não iria acontecer nada. Mesmo assim, sentia certo prazer de sentar próximo de Clara, conversar com ela.
Passou algum tempo. A aula passava rapidamente e Alice estava envolvida de pensamentos aleatórios, que não tinham uma importância para ela. Dentre eles, como a Rússia mantém o domínio sobre toda a área da Sibéria, sendo que não há ninguém lá. Realmente, nada de muito importante ou relevante para ela.
Alice conseguia sentir o perfume que Clara usava. Estava bem curvada sobre a carteira, como se estivesse pronta para dormir durante a aula. O que não lhe pareceu uma má ideia quando este pensamento veio-lhe à cabeça. Mas preferiu ficar acordada e continuar a sentir aquele cheiro maravilhoso.
- Ei Clara.
- Oi - Clara se virou para Alice.
- Que perfume é esse?
- Hum, o nome eu não sei direito como pronunciar, mas vou escrever aqui para você. - No momento que acabou de falar, Clara começou a procurar algum pedaço de papel que não estivesse completamente intacto em seu caderno.
- Aqui, escreve no meu caderno. - Alice já havia pego seu caderno e entregava para Clara.
Quando Clara devolveu o caderno para Alice, ela pôde ler "egeo dolce for woman". Queria muito aquele perfume, e não para usar. Mas para apreciar aquele cheiro que lhe fazia lembrar da pessoa que gostava de ver. O cheiro parecia carregar pedaços de memória que a faziam lembrar da pessoa. E neste caso, era de Clara.
Não houve muito mais coisas fora do normal neste dia. Alice lembrou que a festa junina de seu colégio iria ocorrer em menos de três semanas, mas não estava preocupada. Não queria que acontecesse o mesmo que ocorreu entre ela e Mariana. Lembrar disso ainda doía um pouco. Doía pensar em como era. De repente a vontade de comprar aquele perfume desapareceu. Alice pegou seu caderno e viu o nome do perfume escrito numa página e a arrancou, amassou e jogou na rua, que estava molhada pela chuva da noite anterior.
Finalmente foi para casa. Seguindo o caminho de sempre, mas dessa vez com um olhar vazio para o chão durante todo o percurso. Um olhar que Alice não conseguia ter desde quando ainda morava em Betim.
Alice não se importava com a aula de geografia. Era uma das matérias que mais tinha facilidade, apesar de não gostar. Seus colegas viviam perguntando para ela como ela conseguia se sair bem em algo que não gostava, e ela simplesmente respondia que não sabia. No fundo sabia. E achava seus colegas que iam mal na matéria um bando de descerebrados que não sabiam sequer usar uma lógica simples para resolver as questões. Alice chamava essa lógica de Lógica da Religião e Economia. Como o próprio nome diz, a lógica se baseia na religião e na economia envolvidos. Dependendo da matéria um influencia o outro, ou às vezes não. Era simples, na maioria das vezes a questão girava em volta do dinheiro, e às vezes da religião. Alice não conseguia compreender a dificuldade de colocar isso na cabeça, e no final sempre deixava para lá. Tinha mais com o que se preocupar.
Neste dia Alice decidiu sentar atrás de Clara, por quem já sabia sentir certa atração. E sabia que não iria acontecer nada. Mesmo assim, sentia certo prazer de sentar próximo de Clara, conversar com ela.
Passou algum tempo. A aula passava rapidamente e Alice estava envolvida de pensamentos aleatórios, que não tinham uma importância para ela. Dentre eles, como a Rússia mantém o domínio sobre toda a área da Sibéria, sendo que não há ninguém lá. Realmente, nada de muito importante ou relevante para ela.
Alice conseguia sentir o perfume que Clara usava. Estava bem curvada sobre a carteira, como se estivesse pronta para dormir durante a aula. O que não lhe pareceu uma má ideia quando este pensamento veio-lhe à cabeça. Mas preferiu ficar acordada e continuar a sentir aquele cheiro maravilhoso.
- Ei Clara.
- Oi - Clara se virou para Alice.
- Que perfume é esse?
- Hum, o nome eu não sei direito como pronunciar, mas vou escrever aqui para você. - No momento que acabou de falar, Clara começou a procurar algum pedaço de papel que não estivesse completamente intacto em seu caderno.
- Aqui, escreve no meu caderno. - Alice já havia pego seu caderno e entregava para Clara.
Quando Clara devolveu o caderno para Alice, ela pôde ler "egeo dolce for woman". Queria muito aquele perfume, e não para usar. Mas para apreciar aquele cheiro que lhe fazia lembrar da pessoa que gostava de ver. O cheiro parecia carregar pedaços de memória que a faziam lembrar da pessoa. E neste caso, era de Clara.
Não houve muito mais coisas fora do normal neste dia. Alice lembrou que a festa junina de seu colégio iria ocorrer em menos de três semanas, mas não estava preocupada. Não queria que acontecesse o mesmo que ocorreu entre ela e Mariana. Lembrar disso ainda doía um pouco. Doía pensar em como era. De repente a vontade de comprar aquele perfume desapareceu. Alice pegou seu caderno e viu o nome do perfume escrito numa página e a arrancou, amassou e jogou na rua, que estava molhada pela chuva da noite anterior.
Finalmente foi para casa. Seguindo o caminho de sempre, mas dessa vez com um olhar vazio para o chão durante todo o percurso. Um olhar que Alice não conseguia ter desde quando ainda morava em Betim.
domingo, 13 de junho de 2010
Manhã Fria
Era sexta-feira. Alice começou o dia normalmente. Acordou, sentou na cama e refletiu sobre o que queria naquele dia. Sempre algo que não era possível. Tomou seu banho, se arrumou, e seguiu seu caminho até a escola.
Fazia frio em Belo Horizonte. Os serviços de meteorologia registraram temperaturas de dez graus na capital, temperatura que era fora do comum para seus habitantes, e menos ainda para Alice, que não morava ali desde pequena.
Alice chegou ao colégio. Passou pelo portão da frente, subiu as escadas. Tudo feito automaticamente. Ao longo do tempo as ações que Alice fazia todos os dias iam se tornando cada vez mais automáticas, dando-a mais tempo para pensar. Isso tinha seu lado bom e seu lado ruim. Infelizmente Alice só pensava no lado ruim, que era o de refletir sobre coisas que não queria. O lado bom, de poder pensar em algo sem ser incomodada, não era nem cogitado por ela.
Clara foi a primeira amiga que Alice viu quando entrou na sala naquela sexta-feira. Estava sentada numa carteira próxima à janela, num dos cantos da sala. Alice escolheu sentar atrás dela. Queria conversar com Clara. Não era nada sério, e nem sabia por onde começar ou o que falar, mas queria conversar com alguém que gostasse.
Alice tinha este defeito. Por mais que ficasse chateada ao conversar com uma menina que só fala sobre homens, ela aproveitava esses momentos. Aproveitava a atenção que lhe davam. O simples prazer de conversar, de estar perto, já a satisfazia. O amor que era transmitido para Alice era tão pouco, ou tão diferente, que apenas estar perto e conversar com uma pessoa já a satisfazia. Mas não qualquer pessoa. Alguém que ela gostasse muito.
- Ei Alice! - Clara disse.
- Oi Clara. - Alice retribui.
- Como vão as coisas?
- Um pouco cansada desse caminho que faço. É meio chato fazer o mesmo caminho duas vezes por dia por todos os dias do ano letivo. E esse frio também está me matando.
- Poisé, somos duas. Esse frio realmente acaba com qualquer um. Parece até que a cada ano fica mais frio nessa época. Ainda bem que venho de carro para o colégio.
- Sortuda.
E riram. Foi um momento feliz naquele dia. Alice gostava desses momentos. Mas ficava triste quando lembrava que eram apenas momentos, e que tudo voltaria ao normal depois.
Fazia frio em Belo Horizonte. Os serviços de meteorologia registraram temperaturas de dez graus na capital, temperatura que era fora do comum para seus habitantes, e menos ainda para Alice, que não morava ali desde pequena.
Alice chegou ao colégio. Passou pelo portão da frente, subiu as escadas. Tudo feito automaticamente. Ao longo do tempo as ações que Alice fazia todos os dias iam se tornando cada vez mais automáticas, dando-a mais tempo para pensar. Isso tinha seu lado bom e seu lado ruim. Infelizmente Alice só pensava no lado ruim, que era o de refletir sobre coisas que não queria. O lado bom, de poder pensar em algo sem ser incomodada, não era nem cogitado por ela.
Clara foi a primeira amiga que Alice viu quando entrou na sala naquela sexta-feira. Estava sentada numa carteira próxima à janela, num dos cantos da sala. Alice escolheu sentar atrás dela. Queria conversar com Clara. Não era nada sério, e nem sabia por onde começar ou o que falar, mas queria conversar com alguém que gostasse.
Alice tinha este defeito. Por mais que ficasse chateada ao conversar com uma menina que só fala sobre homens, ela aproveitava esses momentos. Aproveitava a atenção que lhe davam. O simples prazer de conversar, de estar perto, já a satisfazia. O amor que era transmitido para Alice era tão pouco, ou tão diferente, que apenas estar perto e conversar com uma pessoa já a satisfazia. Mas não qualquer pessoa. Alguém que ela gostasse muito.
- Ei Alice! - Clara disse.
- Oi Clara. - Alice retribui.
- Como vão as coisas?
- Um pouco cansada desse caminho que faço. É meio chato fazer o mesmo caminho duas vezes por dia por todos os dias do ano letivo. E esse frio também está me matando.
- Poisé, somos duas. Esse frio realmente acaba com qualquer um. Parece até que a cada ano fica mais frio nessa época. Ainda bem que venho de carro para o colégio.
- Sortuda.
E riram. Foi um momento feliz naquele dia. Alice gostava desses momentos. Mas ficava triste quando lembrava que eram apenas momentos, e que tudo voltaria ao normal depois.
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