quarta-feira, 16 de junho de 2010

Fim de Semana em Branco

    Em casa, a sós, Alice refletia sobre seus dias em que passou em Belo Horizonte até aquele momento. Não havia ocorrido nada que considerasse ruim, além de ser atraída por Clara.
    Os minutos passavam e Alice fazia sua lição. De repente lembrou que haveria uma prova de matemática segunda-feira. Após isso, lembrou que teria provas durante todo o mês. Por último, e não menos importante, lembrou que não havia entendido nada da matéria. "Malditos determinantes, vão acabar comigo..." Decidiu estudar, mas a cada momento se distraía com alguma legenda no livro, algo que acontecia em sua rua, fora do prédio, lembrava de algum bombom que havia restado na geladeira. Qualquer coisa parecia ser um bom motivo para afastá-la daquele livro didático. Por fim, assumiu a falta de vontade e foi ver TV até a hora de dormir.

    Sábado.

    Domingo.

    Segunda-feira. Dia da prova. Alice estava estranhamente despreocupada, apesar de não ter estudado. Não se sentia confiante, mas não sentia medo. Estava indiferente. "Oi Alice, você está bem?" - Alice estava encostada numa parede do corredor, de frente para a porta da sala onde seria aplicada a prova. Na verdade, estava encostada em sua mochila, que estava fina por causa da ausência total de livros, que por sua vez estava encostada na parede. Alice imaginava aquilo como um "acolchoamento" para a parede. Enquanto isso, observava os detalhes da porta da sala. Parecia ter a mesma idade que o colégio. Não sabia o quanto, apenas que era antigo. Muito antigo. "An? Estou bem sim, é que estava pensando na prova, e no quanto eu deveria estar preocupada mas não estou" - Respondeu Alice, sem ter certeza do que falava. Afinal, sabia que não estava a pensar na prova. Não estava ligando para aquilo. Mas não se lembrava do que estava pensando. Poucas coisas a faziam se distrair tanto quanto pensar na pessoa em que se gosta, mas costuma-se lembrar disso, e ela não lembrava. "Estranho" - pensou Alice.
     Uma jovem de cerca de 30 anos caminhava pelo corredor usando um salto que fazia um barulho enorme ao pisar no chão. Não era feia, mas não havia despertado atenção de Alice. Em suas mãos estava o pacote com as provas da turma de Alice. Ela abriu a porta da sala e entrou, chamando a todos. Alice entrou também, junto com Clara e suas amigas.

     Era necessário deixar a mochila longe da carteira. Não era possível deixar o estojo com o material à vista. Somente lápis, caneta e borracha poderiam ficar em cima da carteira. "Quem foi o imbecil que inventou essa regra?" - Pensava Alice. - "Qualquer um pode escrever uma cola num pedaço de papel e colocar na manga, ou até mesmo na meia, que incompetência do caralho..." Era assim que Alice pensava. Coisas que são simples de se fazer e não eram bem feitas a deixavam meio chateada e meio irritada. A cada momento que se deparava com situações assim Alice se decepcionava mais com as pessoas.
    Alice e seus colegas se sentaram. Ela era a única garota com o nome começado em A em sua turma. Sentava na primeira carteira. Não haviam chances de colar ou de olhar para o lado. A vigia começou a distribuir as provas. Quando Alice recebe a sua, não consegue acreditar no que vê. Todos os exercícios da primeira página ela julgava saber responder. Mas ela não havia visto os outros.
    Tudo corria bem. Alice, apesar de não ter estudado, estava confiante de que tiraria uma nota boa seguindo aquele ritmo. A confiança estava em alta, até que percebe que a outra metade da prova era muito difícil para uma garota de 16 anos que não havia prestado atenção às aulas e não havia sequer estudado nos últimos dias.

    A manhã inteira foi utilizada para se fazer a prova. No final, Alice saiu desapontada, achava que se sairia bem. Apesar disso, não se sentia mal. Se sentia indiferente. A única coisa que se passava em sua mente era Clara. Alice a imaginava de todas as maneiras, sorrindo para ela. Um sonho. Após essa ideia, só pensava em ir para casa. Ir de encontro à cama e dormir até o dia seguinte.

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