quarta-feira, 9 de junho de 2010

Chegava o Dia

    Os dias passavam. Alice havia encontrado Clara com um rapaz que começou a trabalhar no colégio. Apesar de ficar feliz por ela, não pode deixar de se sentir mal por tudo aquilo. Se sentia só, mais uma vez, como sempre foi na maior parte do tempo.
    Alice não tinha cabeça mais para pensar nos estudos. No colégio agia como um robô, seu corpo assistia as aulas, mas ela pensava em como seria o dia seguinte. Pensava em como poderia ser, e como queria que fosse. Eram ideias tolas, com coisas que só poderiam ocorrer em filmes de romance. Suspirou, e por um segundo voltou a prestar atenção na aula, em seguida repetia-se o processo.

    Começo de Julho. Havia quase um mês que Alice não prestava atenção às aulas. Seu rendimento havia caído muito, mas ela não ligava. Não lhe importavam o que os professores pensavam dela. Alice pensava apenas em o que fazer para se ocupar em casa.

   Era uma noite fria. O inverno havia se instalado em Belo Horizonte. Estava impossível ficar sem alguma proteção para o frio naqueles dias, de noite e de manhã principalmente. Na manhã deste dia Alice acordou com calafrios. Não queria tomar banho, mas não se sentia limpa. Se sentia suja e com frio, e queria se sentir ao menos limpa, já que podia se esquentar depois. Saiu do banho, se arrumou e tomou seu café, e foi para a aula.
    Durante o caminho Alice sentia suas mãos ficarem cada vez mais frias por causa do vento que batia de leve. Aquela sensação, que se parecia com o passar dos dedos na lateral de uma navalha fria, pronta para cortar algo, era agradável para Alice. Imaginou uma frase pouco poética ("este frio, corta-me como uma faca de prata, como que um assassino que sabe quando sua vítima não tem nada a perder").
    O dia passou como todos os outros, nada de especial aconteceu.
    A noite chegou. Alice estava sentada na frente do computador. Estava a visitar alguns blogs de humor, que não conseguiam alegrá-la muito, mas a mantinham com ânimo que consideraria "suficiente". Tudo ocorria como os dias anteriores, até que leu algo que a fez lembrar d'O Dia dos Namorados.
    Seria seu décimo sexto dia dos namorados, e desde que passou a gostar de outras pessoas, seria seu sexto dia dos namorados que passaria só.
    Alice não conseguia disfarçar a tristeza que sentia. Desligou o computador, e foi dormir, tentando não pensar nisso. Mas é claro que ela pensou a noite inteira neste assunto. Durante a noite, tinha pesadelos, e pela manhã tinha sorte. Sorte de não lembrá-los.

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