segunda-feira, 14 de junho de 2010

Fragrâncias do Amor

    A primeira aula do dia começou. Alice, Clara, e seus colegas estavam se sentando enquanto o professor se dirigia para sua mesa. Era uma aula de geografia. Tudo começava normalmente. O professor tentava se lembrar onde havia parado na última aula, e alguém do outro lado da sala respondeu.
    Alice não se importava com a aula de geografia. Era uma das matérias que mais tinha facilidade, apesar de não gostar. Seus colegas viviam perguntando para ela como ela conseguia se sair bem em algo que não gostava, e ela simplesmente respondia que não sabia. No fundo sabia. E achava seus colegas que iam mal na matéria um bando de descerebrados que não sabiam sequer usar uma lógica simples para resolver as questões. Alice chamava essa lógica de Lógica da Religião e Economia. Como o próprio nome diz, a lógica se baseia na religião e na economia envolvidos. Dependendo da matéria um influencia o outro, ou às vezes não. Era simples, na maioria das vezes a questão girava em volta do dinheiro, e às vezes da religião. Alice não conseguia compreender a dificuldade de colocar isso na cabeça, e no final sempre deixava para lá. Tinha mais com o que se preocupar.
    Neste dia Alice decidiu sentar atrás de Clara, por quem já sabia sentir certa atração. E sabia que não iria acontecer nada. Mesmo assim, sentia certo prazer de sentar próximo de Clara, conversar com ela.

    Passou algum tempo. A aula passava rapidamente e Alice estava envolvida de pensamentos aleatórios, que não tinham uma importância para ela. Dentre eles, como a Rússia mantém o domínio sobre toda a área da Sibéria, sendo que não há ninguém lá. Realmente, nada de muito importante ou relevante para ela.

    Alice conseguia sentir o perfume que Clara usava. Estava bem curvada sobre a carteira, como se estivesse pronta para dormir durante a aula. O que não lhe pareceu uma má ideia quando este pensamento veio-lhe à cabeça. Mas preferiu ficar acordada e continuar a sentir aquele cheiro maravilhoso.
     - Ei Clara.
     - Oi - Clara se virou para Alice.
     - Que perfume é esse?
     - Hum, o nome eu não sei direito como pronunciar, mas vou escrever aqui para você. - No momento que acabou de falar, Clara começou a procurar algum pedaço de papel que não estivesse completamente intacto em seu caderno.
     - Aqui, escreve no meu caderno. - Alice já havia pego seu caderno e entregava para Clara.
     Quando Clara devolveu o caderno para Alice, ela pôde ler "egeo dolce for woman". Queria muito aquele perfume, e não para usar. Mas para apreciar aquele cheiro que lhe fazia lembrar da pessoa que gostava de ver. O cheiro parecia carregar pedaços de memória que a faziam lembrar da pessoa. E neste caso, era de Clara.

     Não houve muito mais coisas fora do normal neste dia. Alice lembrou que a festa junina de seu colégio iria ocorrer em menos de três semanas, mas não estava preocupada. Não queria que acontecesse o mesmo que ocorreu entre ela e Mariana. Lembrar disso ainda doía um pouco. Doía pensar em como era. De repente a vontade de comprar aquele perfume desapareceu. Alice pegou seu caderno e viu o nome do perfume escrito numa página e a arrancou, amassou e jogou na rua, que estava molhada pela chuva da noite anterior.
     Finalmente foi para casa. Seguindo o caminho de sempre, mas dessa vez com um olhar vazio para o chão durante todo o percurso. Um olhar que Alice não conseguia ter desde quando ainda morava em Betim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário