sábado, 1 de maio de 2010

Absolutamente nada dura [para sempre]

    Fernanda subia as escadas que haviam na entrada do colégio. Tudo parecia estar acontecendo em câmera lenta para Alice. Conseguia ver todos os detalhes de tudo que estava ao seu redor, mesmo que não lhe importassem naquela hora.
    Seu amor estava a usar um tênis branco, com detalhes em azul. Uma calça jeans velha, mas bem cuidada, a blusa do uniforme, que estava cheia de respingos d'água nos ombros, por causa da chuva. O cabelo longo de Fernanda estava preso por um elástico preto, e ela usava brincos de argola de tamanho médio. Não era algo que chamava muito a atenção.

    Fernanda corria para subir as escadas. Corria com a cabeça baixa, e por isso não viu Alice ali, parada. Quando saiu da chuva e entrou na portaria do colégio as duas se viram.

    - Fêr? - perguntou Alice, quase gaguejando.
    - Alice, por favor...
    - Não Fernanda, por favor me deixe falar. - Fernanda estava começando a falar, mas não continuou. - Eu sei o que aconteceu. Mariane não devia ter feito isso. Mas por favor, eu não quero, eu não consigo enfrentar isso sozinha. Por favor...
    - Me desculpe... mas não sei se consigo, se quero continuar com isso. - a bomba estava lançada. Alice sentiu um calafrio. Uma dor no coração. No instante que seu cérebro processou esta frase seu coração parou por um segundo. Tudo parou.

    Fernanda continuou andando e entrou no colégio. Alice ficou parada na portaria, encarando o nada por algum tempo.

    Alice não conseguia acreditar. Pela primeira vez havia encontrado a felicidade. Pela primeira e única vez até aquele dia. Tudo foi estragado por causa de uma única pessoa. Um único sentimento estragou aquilo tudo: a inveja.
    Mariane sentia inveja de Fernanda. Os garotos do colégio tinham uma certa queda por ela, assim como tinham por Alice. Tinham. Agora não têm mais, e tudo por causa de uma fofoca. "Que filha da puta", pensou Alice. Queria ficar com raiva, apenas raiva. Mas a tristeza naquele momento era muito grande.
    Sentou num dos degraus da escada. Não conseguia fazer nada. Queria ir para casa e esquecer aquele pesadelo. Queria acordar e descobrir que nada daquilo estava acontecendo.

    - Alô? - Verônica, mãe de Alice, atende o celular
    - M-Mãe? Vem me buscar aqui no colégio, por favor?
    - Alice? O que aconteceu?
    - Por favor! Não quero falar isso agora mãe... Por favor, venha logo... - e Alice finalizou aquela chamada.

    Verônica buscou Alice no colégio sem dizer uma palavra até chegarem em casa.
    - É sobre Fernanda, não é?
    Alice não conseguia falar. Só fez que "sim" com a cabeça.
    - Meu bem, sinto muito. Muito mesmo. Vamos subir, não vamos fazer nada hoje. Vou ligar para o serviço e dizer para meu assistente me substituir hoje.
    "Obrigada." E essa foi a última palavra de Alice naquele dia.

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