Alice chegou em casa e dormiu com a imagem daquela garota na cabeça.
No dia seguinte já estava oficialmente matriculada no colégio. Seria seu primeiro dia de aula. Vestiu o uniforme do colégio, que surpreendentemente não era muito diferente do de seu último colégio. "Falta de criatividade", pensou Alice. Terminou de se arrumar e foi.
Não sabia explicar o porquê, mas naquele dia parecia mais feliz. Parecia que de repente tudo havia mudado. Estava realmente mais feliz. Talvez porque provavelmente veria a garota cujo nome não sabia. Talvez porque o dia amanheceu com ar agradável. Talvez porque não tinha que se preocupar com seu passado no novo colégio. Vários motivos.
Chegou ao novo colégio. Era uma construção consideravelmente antiga. Já havia até sido tombado como patrimônio histórico da cidade, mas não caía aos pedaços. Ocupava um espaço praticamente igual ao de seu antigo colégio.
Começou a subir as escadas. Suas aulas seriam no terceiro andar. "Mais exercícios, êêêê!", pensou Alice, com um certo tom de sarcasmo no final.
Entrou na sala. Poucas pessoas haviam chegado até então. Olhou para o relógio e percebeu que estava cedo. Sentou no fundo, perto de uma janela. Ela nem sabia que ali seria um bom lugar para observar o céu. Não havia sequer pensado nisso na hora de sentar lá.
Os minutos passavam. Faltavam apenas alguns para a aula começar. Alice não estava realmente preocupada com isso, demorou mas percebeu que a garota que havia visto no corredor no dia anterior entrou em sua sala logo na sua frente. Leve como um anjo. Bonita como tal. Mas com o cabelo preso, e uma roupa diferente. Alice não a reconheceu. Havia visto ela no corredor, mas não notou a presença do anjo. Talvez fosse pelo nervosismo do primeiro dia de aula. Ela se sentou numa carteira na frente, na mesma fileira que Alice.
Começou a aula.
Durante os intervalos entre as aulas alguns alunos começaram a conversar com Alice. Eram realmente interesseiros. Interessados na beleza de Alice. Pobres rapazes, não sabiam da verdade. Começaram com a bateria de perguntas. Foram as de sempre: "de onde você veio?", "de qual colégio?", "de qual cidade?" Alice não ligava para estas perguntas, afinal de contas já sabia que seriam feitas. Sentiu que chegou sua hora de perguntar:
- Ei, qual é o nome daquela menina ali?
- Ah, a que está na mesma fileira que você? Lá na frente? O nome dela é Clara - respondeu um dos rapazes que conversava com ela.
Do outro da sala acontecia o mesmo. Uma garota que havia falado com Alice dizia para Clara o nome da novata. Parecia que tinham medo de conversar. Havia algo realmente estranho entre elas, e não apenas do ponto de vista de Alice. Mas uma hora ou outra elas teriam que conversar.
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