Os dias, semanas, e meses foram passando. Fêr, como era chamada Fernanda, já ocupava a antiga posição de melhor amiga que antes era ocupada por Mariane.
"É incrível. Parece que o tempo cura tudo. É exatamente o que meu professor de português havia dito algumas semanas atrás. Não importa o que aconteça conosco, o tempo uma hora acabará com a alegria, e também com a tristeza. Parece que alternando entre um e outro, ou os misturando...", pensava Alice naquela manhã, logo depois de ter acabado de se arrumar para ir ao colégio.
Aparentemente seria um dia comum, se sua amiga Fêr não tivesse a chamado para encontrá-la no colégio depois da aula.
E a tarde caiu. Alice caminhava pelos corredores até a biblioteca, onde decidiram se encontrar. Fernanda não havia lhe dito o que queria, nem o porque daquela localização. Tinha a estranha sensação de ser algo que ela esperava, alguma espécie de confissão, mas não sabia o que. Pensava que talvez seria sobre algum menino, algum problema familiar. E não era.
- Alice, tenho que te contar uma coisa. Eu não sei como falar. É difícil, sabe? Você é minha melhor amiga, e sei que posso confiar em ti, mas é difícil falar isso, admitir isso...
- Calma, respire fundo, acalme-se. Não tenha pressa. É algo sério? Algo sobre mim, você, ou outra pessoa? - Fernanda apontou o indicador para ela mesma.