Alice estava tensa. A aula havia acabado e todos saiam da sala. No final só restaram ela, Mari e algumas outras pessoas da classe, que já estavam se encaminhando para fora da sala. Ela sentiu calafrios só de pensar em ficar a sós com Mari. Pela primeira vez, em tanto tempo, sentiu medo de estar com uma pessoa que amava. Sentia medo de ouvir aquilo que não queria.
- Alice?
- Ei Mari. Nem conversamos direito hoje, não é? - Alice fez um comentário direto. Ela não fazia muito o tipo que fica enrolando conversas. Apesar de tímida, era bem objetiva.
- Bom, poisé. É que... Bom, não sei como dizer isso, mas sei lá... Sobre a festa, eu... - E fez-se uma pausa.
Alice sentia seu coração pular. Era como se estivessem torturando ela. Como se estivesse com uma grande falta de ar, se afogando em seus próprios sentimentos, e como se não conseguisse sair daquele mar profundo...
- Eu não sei se vamos poder dançar juntas. Quero dizer... Eu te entendo, e olha, não me importo. Mas é que ficaria mal para mim, para nós, entende? - "Não, não entendo", era o que Alice queria dizer, mas não disse.
- É... bom, eu já estava pensando nisso também, e acho que concordo. Então vamos deixar passar, certo? - Doía mentir assim. Ela já sentia seus olhos pulsarem, quase começando a arder. - Bom, tenho que ir, até amanhã Mari. - E assim se despediu de sua amiga.
Alice partiu. Percebeu, antes de sair da sala, que Mari soltou um longo suspiro e que continuou guardando seu material, o que lhe deu tempo para, dali a pouco, chorar. Antes mesmo de descer as escadas. Não suportou. Correu, não importando com quem estivesse a sua frente, pois ela desviaria. Faria de tudo para sair daquele lugar o mais rápido possível, e chegar ao conforto de seu quarto, onde sabia que podia ser ela mesma sem se preocupar em ser magoada.
Foi a volta para casa mais rápida que Alice já fez. Logo quando chegou em casa seu rosto já havia melhorado um pouco. Estava com as faces rosadas por causa do desespero (e cansaço, pois veio num ritmo muito acelerado para casa). "Minha mãe não está em casa, ótimo!", pensou. Não estava realmente feliz em esconder este acontecimento de sua mãe, mas sentia que de alguma forma seria o melhor. É. Seria melhor não contar para sua mãe. Assim causaria menos preocupações.
Não se importou com a casa. Jogou a mochila no sofá e correu para o quarto, se trancando lá dentro. O máximo que fez foi tirar o tênis, e logo depois disso caiu na cama, abraçou o travesseiro, e não teve mais forças para continuar acordada. Dormiu.