quarta-feira, 28 de abril de 2010

Preparação

    Chegou em casa. Alice não queria saber de praticamente nada naquele momento. Só queria saber de Fernanda, e como as coisas terminariam. Não ligava para Mariane, para seus colegas. Nada disso.
    Nem mesmo sua mãe foi capaz de entender o que se passava, de tão rápido que Alice correu para seu quarto.

    Alice sentou em sua cama. Ficou encarando o chão. Depois seus tênis brancos com alguns poucos detalhes em rosa, que já estavam aos poucos sendo desgastados pelo tempo de uso. Era um daqueles momentos estranhos em que nosso cérebro parece que para de funcionar. Como que para aliviar um pouco a situação.
    Não percebeu por quanto tempo ficou parada sem lembrar no que pensava. Só se lembrava que ao chegar em casa o céu estava laranja, os postes das ruas já estavam sendo acesos, e que agora já estava escuro. Não havia passado tanto tempo.

    Foi difícil dormir.

    No dia seguinte acordou sem vontade de ir ao colégio. Não era medo dos olhares dos colegas, mas medo de ver Fernanda. "Que bobagem...", pensava. Ela mesma sabia que uma hora deveria encarar isso, mas tinha medo de ficar triste. Alice começou a pensar nisso.
    "Medo de ficar triste." Lembrou de quando alguns colegas a viam triste e perguntavam "você tem medo de ser feliz, Alice?" e ela respondia que não, e que tinha vontade de responder "não. Mas tenho medo de ser triste", mas não o fazia. Talvez por preguiça, talvez por medo da reação de seus colegas, já que ela não respondia emocionalmente igual às outras pessoas. E não era por não gostar de garotos, mas Alice realmente era diferente. Tratava as pessoas de forma diferente.

    - Mãe...
    - Sim, Alice?
    - Posso ir no colégio só durante o primeiro horário? Só para saber se vou perder algo importante hoje, porque estou me sentindo meio mal, meio enjoada, entende?
    - Hmm, claro. Mas se tiver algo importante, você ficará por lá.
    - Está bem.
    De alguma forma Alice sabia que não ia ficar no colégio por muito tempo. E sua mãe também.

    "Tudo que vou fazer é falar com Mariane, e só", pensou Alice. Deu um longo suspiro e terminou de amarrar os cadarços de seus tênis brancos com detalhes rosas.

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