terça-feira, 27 de abril de 2010

Por que?

    - Fernanda! - gritou Alice do portão interno do colégio, para que Fernanda parasse de correr. Não obteve resposta. - Que merda! Que grande merda! - começou a reclamar.
    Alice ficou encarando o chão por algum tempo, pensando. O que fazer agora?
    Saiu da escola e foi para a casa de Mariane.

    Tocou o interfone. Quem atendeu foi a mãe de Mariane, que deixou Alice entrar. Logo percebeu que estava chateada. Não é preciso ser sua filha para notar a tristeza.

    - Hmm, Alice. Você veio ver a Mari, não é?
    - Sim.
    - Bom, ela não está em casa, ela acabou de sair.
    - Eu espero.

    Os minutos se passaram e Mari voltou para casa. Quando viu Alice sentada no sofá da sala de estar ficou sem reação. Não esperava por isso.

    - Como você pode? Como? Por que? - Mariane não falou nada. - Sabe... eu estava, pela primeira vez nessa maldita vida começando a ser feliz de verdade - sua voz já estava abafada, olhos mais brilhantes que o normal por causa das lágrimas iminentes. - e agora, não sei o que vai acontecer, e tudo por sua causa! - Fez-se um longo silêncio. - Por que?
    - Me desculpe Alice, mas eu estava fora de mim, por favor, me desculpe.
    - Nunca mais olhe para mim. Por favor. - e foi em direção à porta.
    - Por favor, Alice! Deixe-me explicar!
    - Não tem nada para explicar! - e foi-se.

    No caminho de volta para casa começou andando. Alice e seus maus pensamentos, como antigamente. Não gostava disso. Pensava em Fernanda. Pensava em si mesma. Pensava como iria encarar aqueles olhares todos os dias. Pensava se isso duraria todos os dias. Pensava em como Fernanda reagiria. Será que ela abandonaria Alice naquela escola? Doía pensar nisso.

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