sexta-feira, 16 de abril de 2010

Primeira Manhã

     Cedo, logo de manhã. Eram aproximadamente 9:30 da manhã de um sábado e Alice não tinha vontade de acordar. Estava chateada demais com o ocorrido no dia anterior durante a aula, quando determinariam os pares para a festa junina de seu colégio. De longe Alice parecia uma garota normal, mas não era como as outras. Ela gostava de outras mulheres, e não de homens. Era exatamente por isso que estava chateada naquela manhã em especial.
     O dia anterior tinha tudo para ser mais uma sexta-feira típica na vida de Alice. Uma sexta-feira chata, como todas as outras. Mas não foi. Naquele dia uma das garotas que trabalhava no colégio chegou até a sala de Alice para anunciar as inscrições para as quadrilhas da festa junina de seu colégio.
     "Vamos passar uma lista, e nela vocês devem colocar seus nomes" disse a garota que veio com a lista. Alice naquele momento sentiu um calafrio, porque não sabia que as chamadas para as quadrilhas viriam tão cedo. Ela pensava que teria mais tempo para chamar sua amiga, que estava com dúvidas se dançaria ou não. Alice tinha todo um plano traçado em sua mente, no qual insistiria e até seria capaz de apelar para o lado emocional, mas agora estava tudo perdido. Ela teria de resolver aquilo tudo programado para semanas em uma única manhã.
     "Mari..." começou Alice. "Você gostaria de... hmm... d-dançar comigo na quadrilha?". Até gaguejou. Mari ficou chocada com o pedido, disse que iria pensar, e responderia no final da aula. "Por que as pessoas nunca falam 'não' de uma só vez? Seria tão mais fácil. Parece que as pessoas gostam de nos deixar ansiosas só para nos ver desabar no final" pensava Alice.
     Mari era a única melhor amiga de Alice. Outras pessoas seriam classificadas mais como colegas, e às vezes nem isso. Alice era uma pessoa muito seletiva com relação às amizades. Havia conhecido Mari no primeiro dia de aula, quando tiveram que formar uma dupla para uma dinâmica que o professor propôs. Logo ficaram amigas, e depois disso melhores amigas. Alice contava tudo para Mari. Tudo mesmo. Até o que era. Mari estava ciente o tempo todo de como Alice se portava diante de outras garotas, e não se importava com isso. Mari dizia "oras, se você gosta disso, disso e disso, porque não te deixar em paz e te tratar como uma pessoa normal? Isso é ridículo, sabe? Discriminação de merda." Alice gostava muito de Mari por causa de sua atitude, que não era preconceituosa, e talvez por isso desejasse tanto que a amizade que tinha com Mari não fosse somente amizade. Alice queria mais. E mais...

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